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Caninana (Spilotes pullatus)

 

A caninana (Spilotes pullatus) é uma das serpentes mais fascinantes da fauna brasileira. Frequentemente envolta em mitos e lendas rurais, ela é uma espécie essencial para o equilíbrio do ecossistema.

 

 

1. Características Físicas

A caninana é conhecida por seu visual imponente e padrões de cores vibrantes.

• Tamanho: É uma das maiores serpentes da família Colubridae na América do Sul, podendo atingir entre 2,5 a 3 metros de comprimento.

• Coloração: Geralmente apresenta um fundo preto com manchas ou faixas amarelas intensas. Quando jovem, o padrão pode ser levemente diferente, tornando-se mais definido na fase adulta.

• Agilidade: É extremamente rápida, tanto no solo quanto nas árvores (hábito semiarborícola).

 

2. Comportamento: "Brava", mas não peçonhenta

Existe um ditado popular que diz que a caninana é "brava". Isso se deve ao seu comportamento defensivo:

• Defesa: Quando se sente ameaçada, ela infla o pescoço e vibra a cauda para parecer maior e intimidar o predador.

• Bote: Ela pode dar botes rápidos se for acuada, mas não possui veneno (não é peçonhenta). Sua dentição é áglifa (dentes maciços sem canais de veneno).

• Fuga: Na maioria das vezes, ao encontrar um humano, a primeira reação da caninana é fugir em alta velocidade.

 

3. Habitat e Alimentação

Ela é encontrada em quase todo o Brasil, especialmente em áreas de Mata Atlântica e Amazônia, mas também em regiões de Cerrado e Caatinga.

• Dieta: É uma excelente caçadora. Alimenta-se de pequenos mamíferos (roedores), aves, ovos e até outros répteis.

• Controle Biológico: Por comer muitos ratos, ela é uma grande aliada de agricultores, ajudando no controle de pragas de forma natural.

 

Mitos Comuns

"A caninana corre atrás das pessoas?" > Mito. Ela não persegue humanos. O que acontece é que, em sua rota de fuga, ela pode acabar indo na mesma direção da pessoa, gerando essa impressão.

"Ela chicoteia com a cauda?" > Mito. Nenhuma serpente brasileira usa o corpo como chicote para atacar.

A caninana é um animal de extrema importância para a biodiversidade. Se você encontrar uma, o ideal é apenas manter a distância e deixá-la seguir o caminho dela.

Classificação taxonômica

A classificação taxonômica da caninana é organizada da seguinte forma, seguindo o sistema biológico padrão:

 

Nível Taxonômico

Classificação

Reino

Animalia

Filo

Chordata

Classe

Reptilia

Ordem

Squamata

Subordem

Serpentes

Família

Colubridae

Subfamília

Colubrinae

Gênero

Spilotes

Espécie

Spilotes pullatus

 

 

 

 

A Caninana PET, PODE????

Sim, é possível ter uma caninana (Spilotes pullatus) como pet, mas esta é uma escolha para entusiastas que buscam um animal mais dinâmico e "desafiador" do que as populares jiboias.

Aqui estão os pontos principais sobre a criação legal, o manejo e o temperamento da caninana em cativeiro:

 

1. Legalidade no Brasil

No Brasil, é crime criar qualquer animal silvestre sem documentação. Para ter uma caninana legalmente, você deve:

• Comprar de criadouros autorizados pelo IBAMA ou órgão estadual competente.

• Exigir Nota Fiscal e o Certificado de Origem.

• O animal deve possuir um microchip para identificação individual.

• Nota: Nem todos os criadouros de répteis trabalham com caninanas, pois elas são menos comuns no mercado pet do que as jiboias ou cornsnakes.

 

2. Temperamento e Manejo

Diferente de uma jiboia, que costuma ser lenta e dócil, a caninana é:

• Extremamente ativa e curiosa: Ela explora o ambiente constantemente.

• Defensiva: Especialmente quando jovem ou recém-chegada, ela pode ser "esquentada". 

• Rápida: O manejo requer atenção, pois ela é uma serpente muito ágil. Com o tempo e o contato frequente (e gentil), muitos indivíduos se tornam tolerantes ao toque, mas dificilmente serão tão "parados" quanto outras espécies.

 

3. O Terrário Ideal

A caninana cresce muito (até 2,5m ou mais) e tem hábitos semiarborícolas, o que exige um investimento maior em espaço:

• Tamanho: O terrário deve ser grande, priorizando tanto o comprimento quanto a altura.

• Verticalização: É essencial oferecer galhos fortes e prateleiras, pois ela adora escalar e ficar em pontos altos.

• Temperatura e Umidade: Precisa de um gradiente térmico (zona quente em torno de 30°C e zona fria por volta de 25°C) e umidade moderada, simulando o ambiente de mata.

• Fugas: Por ser muito fina e ágil, ela consegue passar por frestas mínimas. O terrário deve ser "à prova de fugas" com travas de segurança.

 

4. Alimentação

Em cativeiro, elas aceitam bem roedores (camundongos ou ratos de biotério) de tamanho proporcional. Como são animais muito ativos, seu metabolismo pode ser um pouco mais acelerado que o de serpentes sedentárias, exigindo uma frequência de alimentação ligeiramente maior enquanto jovens.

É importante salientar que não se deve comprar animais silvestres sem procedências, sendo essa prática considerada crime. Assim sendo, caso queira adquirir um animal como esse, certifique-se que se trata de um local de compra licenciado.

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